Our World

Qual é a tua realidade?

Que fantasias vivem em nós que nos afastam da realidade?

Eu sou capaz de fantasiar imenso com relacionamentos, com um sucesso profissional que valide as minhas capacidades. Em miúda queria uma família diferente, um grupo de amigos que me acolhesse. E muitas vezes apanho-me nessas viagens alucinantes e para mim o que me ocorre de seguida é

Qual é a minha realidade?

O que é que está efetivamente a acontecer?

E logo que esta fantasia de controlo se desfaz continuo com as perguntas. O que tem de bom para mim a realidade não acontecer como eu quero?

E a primeira coisa de boa que me costuma ocorrer é a de que neste momento acabei por ficar um pouco mais presente para mim. E a segunda é a de questionar o que tenho a aprender com o que está a acontecer?

Expectations vs Reality

Stay In

O meu movimento natural é de contracção, de ir dentro, de parar. E a forma como este movimento se expressa é muito simples, começa com um sentimento de tristeza, que surge do nada. Sem nenhuma justificação, nem teia de argumentos, é mesmo do nada que surge. E logo de seguida a presença racional vem e apresenta-me uma lista de argumentos, desta situação que aconteceu, de alguém que fez isto, de ti mesma que fizeste aquilo.

Quando tenho muita sorte, vem muito intenso, gutural e nasce num grito fundo interno que muitas vezes se expressa no externo, e há um choro enrolado, um dobrar sobre o próprio estômago e depois uma ressaca de uns dias. Isto se tiver sorte. Se não tiver, posso andar que tempos cabisbaixa a tentar tocar no que me torna assim tristonha.

Aos poucos tem existido um movimento contrário, o de abertura, o de abrir-me a essa experiência, sem rejeição da emoção, e cada vez menos interpretações lógicas e racionais do que origina estes ciclos. E assim a emoção vive-se e eu vou dentro, fundo, repousando em águas quentes.

Tenho a dizer que me toca muito a profundidade de algo criado, que vem sempre de um momento introspectivo, parado, dentro, fundo. E depois olho a expansão da obra feita, exposta, partilhada. Tem assim um toque místico, vulnerável, erótico. Eu não consegui resistir.

# Amor Incondicional #Aceitação

 

The Way of Santiago

Quando se percorre o caminho de São Tiago, pela minha experiência, existe uma grande roda de desmultiplicação que surge. Isto porque a nossa definição de tempo e de espaço altera-se. O conceito de correr em direcção a algo deixa de existir, o tempo mede-se em kilometros percorridos e a percorrer, assim 4 km demoram 1 hora.

A sensação de tempo perdido, de urgência e de emergência perde forma. E vai-se recebendo o dia conforme ele chega, com frio, um pouco de calor, aguaceiros ou chuva da grossa. As árvores passam a ser abrigo e pequenos cafés os sítios ideais para trocar por roupa seca. E as pequenas coisas na berma do caminho passam a ter interesse, enquanto se colhe o fruto da árvore, ou se conversa com alguém que está no jardim da sua casa e nos oferece água e mais fruta. E a carrinha do pão surge na hora ideal e conhece-se amigos com quem mais tarde se volta a partilhar o caminho.

E parece haver tempo e espaço para tudo.

A dificuldade aqui é manter essa roda de desmultiplicação no nosso dia-a-dia, aquele estado de incerteza e curiosidade em cada dia. Aceitar a mão que oferece e a mão que tira. Familiarizar-nos com o nosso corpo porque estamos disponíveis para o ouvir, agora quero andar, agora quero parar. É quando começamos a reduzir a velocidade, que este corpo e esta mente se preparam para estarem presentes para si mesmo.

#Aceitação #Amor Incondicional

You never walk alone

E vem aquela miúda mimada, que quer tudo e à maneira dela, e o mundo e as pessoas só existem para a contrariar, e dizer-lhe que nada do que faz é bem feito.

E eu estanco-a, ignoro-a, realmente não a quero ouvir.

Mas hoje vou-lhe dar voz, vida, ânimo, vou ouvir esta menina que se sente só no mundo, abafada pela voz e movimento dos outros, e perdida, muito perdida.

E vou estar aqui para ela, ouvir as angústias, as mágoas, e vou estar aqui presente. Presente para ela.

#remoçãodemagoas

Make a Change

É para ti normal sentires que o tempo corre, que a tua mente te mantém ocupada(o) com a agenda diária, o ter que fazer?

Há aquela sensação no peito de rotação acelerada, num misto de ansiedade e comichão? Tudo para obter uma sensação de dever cumprido, com uma vontade obstinada.

Para mim, quando me observo a correr, com uma lista interminável de coisas a fazer, com o objectivo único de obter aquela satisfação pessoal final de tudo arrumado, tudo no seu sítio, começo a questionar! E demora-me tempo, bastante tempo, até tomar consciência do que está a acontecer.

A minha sugestão é, desacelerar! Mudar o sentido dessa rotação acelerada, para algo mais gostoso:) O conversar com alguém, dar-lhe atenção, passear num passo lento junto ao rio, num bosque. Abrir um livro e ler um poema, e ficar aí.

Será que em vez de estares sempre a te ausentar, consegues voltar ao teu centro? A ti?

#Alquimia