Monthly Archives: Novembro 2017

# Me Too

Será que fui má rapariga?

Será que não me dei ao respeito?

Será que na altura certa não soube reagir?

Será que percebemos que a vida tem coisas boas e coisas más, que por vezes abusamos do outro, da disponibilidade dele, do tempo dele muitas vezes com base numa chantagem emocional. Afinal és o meu companheiro, és a minha família, és a minha amiga?

O abuso, tem por base um jogo em que alguém supostamente predomina, exerce uma força, utiliza o seu poder. Porque pode, porque é permitido, porque se permite, porque há vergonha.

Identificar estes abusos e estas vergonha, e a forma como as exercemos em nós e subconsequente exercemos aos outros, pode ser um primeiro passo no caminho.

#Culpa #Cântico da Vida

E se eu não fosse tão boa nisto?

Se eu não fosse assim tão picuinhas, seria mais desligada. E assim mais desligada será que seria tão boa a fazer aquele trabalho que requer tanta atenção ao detalhe?

Se eu não fosse assim tão obsessiva, será que seria tão boa a persistir no que quero?

Se eu não fosse assim tão frágil, será que seria tão boa a consistentemente sentir?

Se eu não fosse tão boa em todas as minhas qualidades, será que estaria aqui hoje a escrever?

#AutoConfiança #Aceitação #Harmonia

A cadeira onde te sentas

A força das nossas crenças é potente.

Se desde criança te dizem que a inteligência não é o teu forte e durante a vida começas a acreditar que existem fortes indícios nesse sentido, a tua forma de estar, a tua expressão na vida acaba por tomar essa forma. E vais colocando toda a tua energia para te dedicares a aspectos da tua vida que não passam por desenvolver o que tu compreendes ser a tua inteligência.

E crias uma barreira, onde de um lado estão as pessoas inteligentes que têm uma vida que tu imaginas que até poderá ser mais fácil e do outro lado estão as pessoas não tão inteligentes, onde te inseres, que têm uma vida mais difícil, mais física, mais prática.

Tudo passa a ser isto ou aquilo, fácil ou difícil, onde as coisas se inserem em quadrados, estereótipos, conceitos pré-definidos.

MAS, e se afinal essa pessoa não for assim tão não inteligente, se afinal teve momentos em que a sua burrice se manifestou, assim como teve momentos em que a sua forte inteligência se manifestou. E se a vergonha sentida quando nos sentimos burros, pode ser apenas uma aprendizagem a dizer que não pensamos todos da mesma forma, não temos os mesmos tempos de aprendizagem, não temos os mesmos interesses?

E se até agora te sentaste numa cadeira que não te pertence, desse lado de uma barreira que acreditaste existir?

# Confiança # Desapego

O que valorizamos & admiramos

Quando alguém que valorizamos & admiramos, seja família ou amigos, elogia alguma característica de alguém ou critica a forma de estar ou de se comportar de outra pessoa, imediatamente ligamos o nosso scanner interno e começamos a pensar onde eu sou como aquela pessoa que foi elogiada e onde não sou como aquela pessoa que foi criticada.

Assim, na nossa procura da aceitação, em busca da não solidão, corremos a identificar situações na nossa vida para comprovar que sou o que os outros gostam que eu seja.

Será que seremos apenas isso? a boa profissional, que é sempre honesta? a pessoa que coloca os outros à frente, para que a dinâmica familiar funcione? a boa amiga, que é recatada e não cria situações embaraçosas em público? a boa namorada, que não amua nem discute?

Ou será que, por vezes sou honesta e por vezes não sou? O que pode salvar o dia, quando digo ok a algo que não gosto, mas não me custa muito fazer. Ou se por vezes sou egoísta e outras vezes sou altruísta? Se gostas de algo que tenho, mas como me faz falta e não te empresto. Ou se por vezes sigo as tuas sugestões mas outras vezes nem te ouço, o que pode resultar em discussões e amuos.

Existe muita flexibilidade em compreendermos que todos os dias estamos um pouco diferentes, e principalmente em aceitarmos que nem sempre nos apetece responder às situações da mesma forma. Hoje digo que sim quando me pedes algo e amanhã digo que não quando me pedes a mesma coisa. O corpo muda de ideias, muda de vontades.

A desidentificação de que eu sou assim, fixa, e a aceitação de que nunca vou conseguir corresponder ao que esperas de mim, Liberta-me. E a partir desse Espaço, posso existir:) Posso respeitar este corpo, esta mente, este espírito.

# Alquimia # Matriz do Feminino # Libertação